Os homicídios explodem em Campina Grande

Recebi de J. Nóbrega Jr.:

 

A onda de violência registrada em Campina Grande nos primeiros quatro meses de 2013 assusta, e tem deixado a população apreensiva e com um sentimento de insegurança. Dados fornecidos pela Delegacia de Homicídios da cidade, revelam que o numero de crimes de morte registrados em Campina Grande aumentou mais de 30% em relação ao ano passado. Enquanto em abril de 2013 foram registrados 56 homicídios, este ano a PC já registrou 75 assassinatos. Nos últimos cinco anos, mais de 700 pessoas foram assassinadas na cidade por inúmeros motivos.

A policia acredita que a maioria dos crimes está relacionada ao tráfico de drogas e alguns, ocorrem por motivos banais, principalmente, nos finais de semana. As autoridades argumentam que nos finais de semana o consumo de drogas ilícitas na cidade aumenta bastante. A delegada Cassandra Duarte observou que alguns dos homicídios deste ano ocorreu devido à discussões familiares ou briga surgida em mesa de bar.

Ela explicou que a falta de uma cultura de paz nos lares de campina grande está ocasionando mortes violentas. Para a delegada de Homicídios de Campina Grande, Cassandra Guimarães, a maioria dos crimes que aconteceu no município foram motivados por relações interpessoais, quando há uma rixa, motivo de vingança e cobrança de dívida. “Mesmo tendo forte atuação na cidade, o tráfico de drogas aparece nessas estatísticas como pano de fundo na prática desses homicídios. O que leva uma pessoa a cometer um crime são mais as discussões, que em muitos casos, são por motivo fútil”, afirmou.

Outra preocupação dos órgãos de segurança e que também é um dos principais fatores para a prática de assassinatos na cidade é o alto índice de pessoas que andam armadas e encontram facilidade para comprar armas de fogo. “Precisaríamos um trabalho mais social para que esses jovens fossem desarmados, isso ajudaria em muito a diminuição nos casos de homicídio. Teríamos que combater o mal na fonte e coibir de vez a venda de armas”, enfatizou a delegada.

Entre os bairros mais violentos da Rainha da Borborema, onde aconteceram mais homicídios entre 2006 e 2013, a Polícia Civil apontou o José Pinheiro, Pedregal, Bodocongó, Centro e o distrito de São José da Mata. Um destaque nesses números é o aumento de crimes cometidos no Centro da cidade. Considerado por muitos, como lugar de muita movimentação e merecimento de maior atenção por parte das forças policiais, já que se caracteriza como área comercial, onde inclui bancos e lojas, o Centro de Campina Grande se apresentou nesses últimos cinco anos com um elevado número de homicídios.

Ainda segundo a polícia, grande parte dos homicídios tem relação com o tráfico de drogas e envolvimento das vítimas na marginalidade. A sensação de insegurança da população aumenta devido ao fato de que em apenas cinco mortes foram apontados os acusados.

Para o delegado adjunto de homicídios Francisco de Assis, a maioria das mortes tem relação com o tráfico de drogas. Hoje, a Delegacia especializada nos crimes contra a vida trabalha com 18 agentes de investigação e com três delegados, Cassandra Guimarães (titular) e Francisco Assis da Silva (adjunto), Mayra Cavalcanti e dois escrivães.

O cientista político e professor da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), José Maria Nóbrega aponta vários fatores para esse aumento de homicídios na cidade, que é considerada de médio porte. Mesmo tendo uma melhoria no âmbito socioeconômico, reduzindo, assim, a pobreza e a desigualdade, o aumento da renda familiar e a fragilidade das instituições de coerção terminaram contribuindo para esse alto índice de assassinatos nos últimos anos. “Se não melhorar a qualidade da polícia e implantar mais políticas públicas, essa tendência só tende a crescer”, afirmou. O levantamento “Mapa da Violência 2013 – Mortes Matadas por Armas de Fogo”, feito pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos, demonstra que os estados que apresentaram as maiores taxas de óbitos por armas de fogo a cada 100 mil habitantes foram Alagoas, Espírito Santo, Pará, Bahia, Paraíba e Pernambuco, nessa ordem. A Paraíba está entre os cinco estados que mais sofreram com o aumento da violência na década, sendo que Campina Grande e João Pessoa são apontadas como as cidades mais violentas do Estado.

PBAgora  

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