A quem NÃO aplicar a terapia hormonal

A terapia (anti)hormonal, chamada, em Inglês, de Androgen-deprivation therapy (ADT) tem demonstrado que aumenta a sobrevivência dos pacientes de câncer da próstata. Não obstante, numa demonstração de que a terapia tem que ser personalizada – e não uma aplicada indistintamente a todos os pacientes – quando aplicada a um tipo de pacientes reduz a sua sobrevivência em geral.

Que pacientes?
Aqueles que já experimentaram sérios problemas cardio-circulatórios, como enfarte do miocárdio e algumas outras doenças sérias do coração.
Donde veio esse conhecimento? De uma pesauisa com mais de 15 mil e quinhentos pacientes que foram tratados com braquiterapia entre 1991 e 2006. Desses, aproximadamente dez por cento tinham um histórico de doenças sérias do coração. Desses, 23% receberam apenas um tratamento de radiação e 43% receberam também um tratamento (anti)hormonal que durou, na mediana, quatro meses. Todos os pacientes foram acompanhados durante alguns anos (mediana de 4,3 anos). Entre os cardíacos, o tratamento (anti)hormonal aumentou o risco de morte – em geral – de 235, bem mais do que o do grupo sem tratamento hormonal, que foi de 12% de mortes – por todas as causas.
A conclusão a que chegaram: homens com câncer da próstata localizado e um histórico de problemas cardio-vasculares sérios não devem receber o tratamento (anti)hormonal porque aumenta tanto o risco de morte por complicações nessa área que as mortes superam as vidas salvas do câncer. Para essa minoria de doentes, a radiação e outros tratamentos primários sem o tratamento (anti)hormonal são mais indicados do que com esse tratamento.
Esses resultados contrastam com os obtidos com o grupo mais numeroso, o dos que tem câncer da próstata mas não tem problemas cardio-vasculares sérios. Nesse grupo maior, os ganhos na sobrevivência geral são grandes – todos devidos à redução da mortalidade por câncer da próstata.
A pesquisa foi dirigida por Paul L. Nguyen, do conceituado Dana-Farber/Brigham and Women’s Cancer Center em Boston, Massachusetts, e os resultados foram publicados online no International Journal of Radiation Oncology*Biology*Physics.

GLÁUCIO SOARES IESP/UERJ

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