Nova vacina, nova esperança

As pesquisas ainda estão engatinhando, mas os resultados permitem algum otimismo. Depois do oba-oba a respeito da abiraterona e choque da realidade, é preciso muito cuidado para não exagerar e manter a esperança sob controle. Há muitos anos, a contribuição de cada novo tratamento ou medicamento tem sido aumentar a mediana da sobrevivência em alguns meses. Ninguém fala mais em cura.

Os dados foram baseados em pesquisas com camundongos. O que os pesquisadores afirmam é que essa vacina consegue enganar os múltiplos mecanismos de defesa do câncer. As vacinas anteriores se concentravam em uma ou poucas proteínas causadas pelo câncer, ou em um ou outro antígeno.

Essa vacina, como outras usa um vírus para convencer nosso sistema imune a identificar as células cancerosas como invasoras e atacá-las. Os pesquisadores examinaram a lista de DNA de células saudáveis da próstata e as injetaram num vírus. Depois injetaram o vírus nas cobaias, que as atacaram como atacariam bactérias invasoras. Não foram observados efeitos colaterais nem doenças auto-imunes que impediram o desenvolvimento de muitas vacinas.

Muitos medicamentos encontraram seus limites na capacidade dos tumores de desenvolver alternativas. Os tumores são inteligentes de maneira malévola, o que explica o porquê das terapias (anti) hormonais perderem seu efeito ao longo do tempo. O grande desafio é encontrar um medicamento que feche todas as possíveis rotas de fuga e nova ampliação do câncer.

É o que essa vacina tenta fazer. Dirigida por Richard Vile, da Mayo Clinic em Rochester. Se o tumor se adapta ao primeiro antígeno, a vacina lancha uma nova onda de ataques em outras áreas. A estratégia é nova: clonam todos os antígenos e alvos, deixando que o sistema imune selecione entre eles. Essa estratégia causará problemas para a aceitação pelas agencias regulatórias que exigem saber quais as proteínas que estão sendo ativadas e alvejadas.

Não foi encontrado câncer nos camundongos vacinados, mas a distancia até humanos é grande. Vile espera começar os testes com humanos em três a cinco anos.

GLÁUCIO SOARES

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