Mais detalhes sobre Tasquinimod, a nova esperança

O câncer da próstata permite que alguns pacientes vivam duas décadas com o câncer ativo e em expansão. A maioria dos pacientes não curada nas tentativas iniciais acaba morrendo de outras causas, morre com o câncer da próstata, mas não dele.

Há os chamados tratamentos primários com intenção curativa: prostatectomia, radiação etc. Quando não curam e há recidiva, outros tratamentos que não curam, mas dificultam o avanço do câncer, são usados. O mais comum é a terapia (anti)hormonal, que tenta matar o câncer de fome, retirando seu alimento predileto, a testosterona. Mas, com bilhões de células cancerosas, algumas precisam de doses mínimas de testosterona, outras vivem muito tempo sem ela e ainda outras – parece – aprendem a fabricá-las. É uma questão de tempo – eventualmente o câncer volta a avançar. Quanto tempo leva até avançar é um dos marcadores usados pelos médicos (time to progression). Uns afirmam que a mediana é 18 meses, mas como há muitos casos nos que a eficiência do tratamento persiste por anos, a mediana diz pouco. Dr. Charles ”Snuffy” Myers afirma que necrópsias mostram que metade dos cânceres voltam na própria próstata e, em quem não tem ou efetivamente ”limpou” a próstata, a terapia (anti)hormonal dura muito mais. Há casos documentados de perto de uma década até que o câncer volte a avançar. Mas quando avança, o faz em terreno livre, sem a competição das células que morreram. Pode crescer rapidamente. Robert Pili está estudando o tasquinimod no Roswell Park Cancer Institute, uma referência. Tasquinimod entra onde os outros terminam.

É um tratamento de uma pílula diária que tem efeito duplo: impede a formação de novos caminhos para levar o sangue ao câncer e reforça o sistema imune ou, pelo menos, a sua capacidade de identificar e atacar o câncer. Uma característica importante é que esse tratamento busca e encontra o câncer, esteja onde estiver. Se já tiver chegado aos ossos, o tasquinimod o encontra.

O objetivo de muitos tratamentos que estão sendo estudados é transformar o câncer da próstata em uma doença crônica e não letal.

Agora, a notícia de possível interesse para nós: estão recrutando pacientes para um experimento Fase III. Experimentos Fase III usualmente são feitos com muitos pacientes e com um ou mais grupos controle. O mais comum é dividir em grupos iguais: um que recebe o tratamento e outro que recebe um placebo e ninguém sabe quem está recebendo o tratamento. Há, também, grupos controle que recebem outro tratamento, particularmente quando o objetivo da pesquisa é demonstrar que o novo tratamento (ou o novo tratamento mais o antigo) é mais eficiente do que o antigo. Por isso, participar de um experimento desses não significa que receberemos o novo tratamento.

Numa pesquisa menor, com poucos pacientes e de curta duração, seis meses depois de iniciado o tratamento, em 69% dos que tomaram tasquinimod o câncer continuava estacionado, em comparação com 37% dos que não tomaram nada.

Há efeitos colaterais: problemas gastrointestinais, fadiga e dor nos ossos. É, também, aconselhável se preparar para todo e qualquer tratamento e, nesse caso, colocar o sistema cardiovascular em dia. Versões melhoradas do tratamento deverão reduzir os efeitos colaterais.

Os interessados devem pedir a seus oncólogos que entrem em contato com

Annie Deck-Miller, Senior Media Relations Manager
Roswell Park Cancer Institute
Buffalo, NY
Annie.Deck-Miller@RoswellPark.org

 

Escrito por GLÁUCIO SOARES com base em entrevista publicada com o Dr. Pili.

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