Os inibidores de Cox-2 dão uma ajuda depois da terapía hormonal


Os autores relatam o caso de um homem com 53 anos que, como tantos, não fazia seu exame anual. Quando descobriu o câncer porque tinha dor nas costas e disuria, o PSA estava em 522 ng/mL. Uma biópsia confirmou o câncer, com um escore Gleason de nove. Um scan dos ossos demonstrou metástase óssea. Um tratamento hormonal foi aplicado (bicalutamida e um “luteinizing hormone–releasing hormone”). Em seis meses o PSA baixou para 4.04 ng/mL. Porém, nove meses depois do início do tratamento voltou a crescer, atingindo 22,32 ng/mL e continuou crescendo, chegando a 37,46 ng/mL no mês seguinte. O tratamento foi interrompido porque, às vezes, a interrupção provoca uma melhoria. Porém, o PSA cresceu mais, chegando a 58.44 ng/mL,. Nova terapia, com doses altas de ketoconazola (200 mg 3 vezes por dia) e hidrocortisona (20 mg/d). Não funcionou. Mais um mes e o PSA foi a 79,78 ng/mL e a dor nas costas voltou e piorou. O paciente não quiz fazer químio.

Foi aí que começou o tratamento com um inibidor de Cox-2, Celecoxib (que foi parcialmente retirado do mercado devido às complicações cardio-vasculares que causava). Foram 200 mg/dia. Acabou a dor e o PSA decresceu: em dois meses voltou a 5,48 ng/mL (lembrem que estava em 522 quando foi diagnosticado). Quatro meses depois, o PSA voltou a crescer, chegando a 11,52 ng/mL. Nova tentativa, aumentando a dose para 200 mg duas vezes por dia, o que provocou uma pequena baixa do PSA, para10.4 ng/mL. Depois de seis meses de tratamento, o tratamento com Celecoxib foi interrompido porque o PSA saltou para 22,8 e as dores voltaram. O tratamento “ganhou” vários meses para o paciente.
Os inibidores de COX-2 (celecoxib é um deles) atuam contra o câncer de próstata. Isso havia sido demonstrado in vitro e in vivo. Num teste clínico com apenas 24 pacientes avançados uma dose maior de celecoxib (400 mg uma ou duas vezes por dia) reduziu a taxa de crescimento do PSA e estabilizou ou reduziu o PSA em 11. Outro teste clínico com 18 pacientes que já não respondiam à terapia hormonal, a combinação de docetaxel e celecoxib (dose massiva de 400 mg duas vezes por dia) estabilizou ou melhorou o PSA 65% dos casos.

Esse texto foi baseado em carta de Guru Sonpavde e Teresa G. Hayes, do Baylor College of Medicine

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