Interações entre medicamentos

O câncer de próstata afeta, sobretudo, idosos. Os problemas cardíacos também aumentam com a idade – inclusive os derrames.

A terapia hormonal é parte do tratamento-padrão do câncer de próstata. A única dúvida é quando iniciá-la. Ela reduz os níveis de testosterona no sangue, alimento predileto das células cancerosas. Pacientes que completaram seis meses de terapia hormonal juntamente com radioterapia tinham um risco de morte três vezes e meia mais baixo do que os que fizeram apenas radioterapia. A terapia hormonal não sai grátis e uma das conseqüências possíveis é aumentar o risco de problemas cardíacos, sobretudo de um ataque do coração. Por isso, tomar doses diárias e pequenas de aspirina tinha tudo para dar certo – reduz o risco de embolia e também de problemas cardíacos derivados do tratamento hormonal.

Porém, um estudo publicado no New England Journal of Medicine mostra sérios problemas hepáticos quando aspirina e tratamento hormonal são dados juntos. Nessa circunstância, o procedimento padrão é suspender o tratamento hormonal até que as funções hepáticas se normalizem. Isso pode prejudicar o tratamento do câncer da próstata.

A pesquisa revelou que essas disfunções eram muito mais comuns entre pacientes que também tomavam aspirina. Os pesquisadores olharam para dados com cobaias e verificaram que a quantidade de aspirina que entra na corrente sanguínea pode ser aumentada em até cem vezes quando há tratamento hormonal.

Por isso, os procedimentos padronizados estão sendo modificados, levando em conta o individuo: quem necessita mais de aspirina para os problemas cardiovasculares, dá uma parada no tratamento hormonal; quem necessita mais o tratamento hormonal, para a aspirina.

Com isso, muitos pacientes vivem mais e melhor.

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