CUIDADO COM OS MEDICAMENTOS QUE PODEM PROVOCAR SANGRAMENTOS

Muitos de nós temos que preocupar-nos com a lenta coagulação de nosso sangue. Eu (e centenas de milhões) enfrento uma fibrilação atrial, que está bem controlada com uma ablação feita em Gainesville há quatro anos e com o uso da amiodarona. Não obstante, durante muito tempo tive o desprazer de tomar warfarina (originalmente um veneno contra ratos) que interagia com “tudo”, particularmente com alguns alimentos úteis para enfrentar um câncer da próstata. Foram vários anos muito chatos.

Surgiram alternativas. Meu clínico geral optou por Xarelto e fiquei livre da warfarina. Outros cardiólogos prescrevem Dabigatran (Pradaxa). Esses medicamentos reduzem o risco de vários problemas cardiovasculares, mas aumentam o risco de sangramento.

Houve uma pesquisa chamada RE-LY que concluiu que o dabigatran não aumentava significativamente o risco de sangramento em relação à warfarina que, durante anos, foi o medicamento padrão.

Até agora. Yuting Zhang, da Universidade de Pittsburgh, e sua equipe publicaram online em JAMA Internal Medicine que o risco relativo de sangramento com dabigatran era 30% mais alto do que o da warfarina. Pior: era 58% mais alto no caso de sangramentos sérios. A (taxa de propensão era de 9.0% em comparação com 5.9%, uma diferença muito significativa P<0,001). Os dados foram retirados de Medicare, um seguro médico público americano com milhões de clientes. As comparações anteriores, que permitiram que a Pradaxa fosse aprovada.

Se você é um paciente, como eu, não peça a seu médico que mude o medicamento baseado nessas informações. A questão é muito complexa porque os resultados variam de acordo com o lugar do sangramento (os gastrointestinais são diferentes dos intracraniais). É debate entre bichos grandes.

É importante, contudo, que saibamos que as vantagens de Pradaxa foram colocadas em dúvida.      

Fiquemos de sobreaviso.

 

 

Gláucio Soares               IESP-UERJ

PROGRESSO EM HONG KONG NA LUTA CONTRA O CÂNCER DA PRÓSTATA?

Uma terapia que combina os hormônios tomados oralmente com esteróides pode aumentar a sobrevivência em pacientes que já não respondem ao tratamento hormonal convencional. Esse experimento está sendo feito há poucos anos sob a supervisão dos doutores Andrew Yip Wai-chun e Angus Leung Kwong-chuen.

A detecção da doença tem aumentado muito em Hong Kong, um aumento de 80% em nove anos. Não sabemos quanto desse aumento se deve à redução da resistência a procurar médicos para tratar a doença. A maioria dos que procuram diagnóstico e tratamento é de idosos.

Quase todos os pacientes eventualmente passam a ser resistentes à terapia hormonal e a doença avança. Em dois a três anos, dizem os dois pesquisadores chineses, metade dos pacientes passam a ser resistentes. A terapia hormonal afeta a sinalização das células cancerosas  em busca de alimento e reprodução. . 

Quando isso acontece, a recomendação médica mais comum ainda é a quimioterapia, cujos efeitos colaterais são pesadíssimos e difíceis de enfrentar. Muitos pacientes idosos abandonam o tratamento. Uma terapia alternativa e controvertida é o uso de esteróides. Porém, mesmo os que defendem o seu uso sabem que os esteróides controlam o câncer por pouco tempo – três a quatro meses.

Surgiu, então, a idéia de combinar a terapia hormonal e os esteróides. Leung defende essa estratégia que afetaria três fontes de hormônios masculinos: os testículos, a adrenalina e o próprio tumor. A sobrevivência mediana passa a ser de 34,7 meses (quase três anos), 4,4 meses a mais do que quando somente esteróides são usados. O período durante o qual a doença permanece estável, sem avançar, dobra e passa a ser de 16,5 meses.

O custo é bem menor em Hong Kong do que terapias de última linha no Brasil: perto de cinco mil dólares e dura nove meses.

É importante advertir que essa terapia é experimental e as informações ao meu alcance não apresentam as estatísticas comuns e o desenho da pesquisa. Porém, como paciente, qualquer notícia que acene com o aumento da sobrevivência e do período de remissão é bemvinda.

 

 

GLÁUCIO SOARES                   IESP-UERJ.

 

 

 

 

 

MELHORA O TRATAMENTO DA FIBRILAÇÃO ATRIAL

 

Fibrilação atrial, AFib. Já ouvimos falar de AFib, mas talvez não saibamos quão séria e quão generalizada ela é: em 2050 perto de 16 milhões de americanos terão que enfrentar esse problema médico. No Brasil, o meu chute, arredondando, é que dez milhões de pessoas sofrerão com a AFib. É a disritmia cardíaca mais comum. O risco cresce com a idade, de maneira que o envelhecimento da população aumentará o número de pacientes. AFib não é brincadeira: ela triplica o risco de hospitalização por problemas cardiovasculares, multiplica por de duas a até sete vezes o risco de acontecimentos tromboembólicos, como um derrame, e dobra o risco de mortalidade.

Um dos tratamentos atuais é a ablação, queimar uma área do coração para conter os impulsos elétricos descontrolados. Eu fiz esse procedimento há alguns anos, no local onde trabalhei três décadas, a Universidade da Florida. Fora a ablação, há vários medicamentos, como amiodarona, que também uso.

A ablação funcionou bem comigo, mas ela é invasiva e acarreta riscos. Infecções etc. e erros durante o procedimento que inclui enfiar um tubo desde a virilha até o coração, dando uma pequena queimada na área suspeita.

Agora é possível mapear a localização do tecido cardíaco responsável por deslanchar a AFib. Esse mapeamento aumentará a exatidão e reduzirá a margem de incerteza.

Um grande benefício para milhões e milhões de pessoas mundo afora.

 

 

GLAUCIO SOARES IESP-UERJ

Uma paciente que o câncer não venceu

Queridísimo amigo:

Olga se mostró complacida de que uses sus fotos para apoyar a otras mujeres a tratarse y salir adelante en los diagnósticos de cancer. 

Me dice que no sabría que debe escribir, pero le dije que eso te lo dejamos a ti. Eres muy bueno inspirando a las personas. 

Pero te cuento algo que te podría ayudar a escribir sobre como Olga ha asumido su vida luego del diagnóstico, que se dio en septiembre del año pasado. Ha pasado casi un año. 

En primer lugar, estuvo muy triste. Buscaba información en Internet sobre casos parecidos.  Lloraba mucho. 

Después, dos meses después asumió el reto de hacerse quimio y radioterapia. La radioterapia fue muy dura. 30 sesiones, entre ellas 5 de campo directo. Quemaron una parte del pulmón. La quimioterapia continúa. Aprendió a lidiar con sus múltiples efectos adversos, principalmente las internaciones en clínicas luego de las sesiones, por baja de defensas, neumonía y gripas. Esta cerca de terminar el tratamiento. 

Photo


Varias circunstancias han incidido en su progreso:

Uno, que compró con sus ahorros un hermoso sitio en el campo, en clima cálido.  Cultiva flores y pinta piedritas para hacer caminos. Observa a los pájaros, los escucha trinar. El entorno apacible, el silencio y el contacto con la naturaleza le han ayudado mucho a sustituir sus pensamientos de tristeza y negatividad por sentimientos de conexión con la vida y con las personas. 

Pero en primer lugar, están los afectos. Su esposo y mi madre no la han dejado sola en ningún momento. La apoyan, la acompañan, la cuidan con alimentación saludable y anti cáncer. Ellos han sido el principal factor de recuperación física. Mis sobrinos, han comprendido muy bien su situación y son muy tiernos con ella. La hacen reír. Reír es muy importante para ella. 

Sus red de amigos, que se compone principalmente de profesoras/es y sus estudiantes de Terapia Ocupacional de la Universidad Nacional, han sido también definitivos. Los profesores de la Facultad de Medicina y los administradores de la empresa de salud de la Universidad, sus colegas, la han ayudado mucho a poner a su servicio la atención médica pronta y de alta calidad. 

En los momentos de crisis, principalmente en las internaciones hospitalarias, los estudiantes y sus amigas profesoras le mandan bellísimos y conmovedores mensajes, con fotos de ellos mostrando enormes carteles sostenidos por todos, en los que le desean una pronta recuperación.   Globos, CDs de música, mensajes de correo electrónico, incluso el ofrecimiento de conseguirle “plantas medicinales” (cannabis), por estudiantes que, aseguran, garantizan sus efectos positivos en el tratamiento del cáncer…. Y que le arrancan sonrisas y carcajadas de felicidad… son todos gestos de inmensa ternura y ejemplos de amor a las personas que pasan por tratamientos oncológicos. 

Este conjunto de actitudes humanas y recursos médicos le han cambiado la perspectiva de la enfermedad, y de la vida.

…..

Además, te cuento que la visita de nuestra amada Dayse ha sido memorable para todos! Mis padres, mis hermanas, y los padres de mi esposo siempre la recuerdan con afecto. 

Yo he estado apoyando a mi padre, cuya visión se ha reducido mucho en los últimos meses, a causa de la diabetes. Ya no puede leer, y ha estado triste por eso.  Se esta tratando con inyecciones en los ojos, y en dos semanas, le operarán con láser sus ojitos. En el nombre de Dios, va a poder recuperar algo de su visión.  

Besos, amigo. Te queremos mucho. 

Aura

A depressão pode piorar o câncer

Receber um diagnóstico de câncer é uma experiência que pode ser traumática. Da mesma maneira, é duro receber a notícia de que o câncer está avançando a despeito do tratamento. A depressão é uma resposta comum. Porém, pesquisas feitas com pacientes de canceres da mama e do fígado mostram que os que mantiveram uma postura otimista viveram mais tempo do que os que se entregaram à depressão.

Um grupo associado à UCLA pesquisou a relação entre depressão e o que acontecia com os pacientes de câncer da próstata. Alguns fatores nem sempre considerados contribuíram para que os resultados fossem piores e a sobrevivência fosse menor. Os deprimidos receberam tratamentos menos eficientes e os canceres avançaram mais rapidamente do que os que mantiveram um astral elevado. Muito importante, os deprimidos tiveram uma sobrevivência menor.

Quem ficou e quem não ficou deprimido? Os deprimidos eram mais velhos, mais pobres e tinham outras doenças. Ou seja, as condições que pensávamos que afetava a saúde mental, de fato, afetam.

Alguns caminhos através dos quais a depressão piora o prognóstico foram identificados: há preconceito contra doenças mentais, inclusive da parte do pessoal da saúde. Os deprimidos enveredavam por estilos de vida que conspiram contra a sobrevivência: se exercitavam menos (ou nada), cuidavam menos da dieta, não seguiam o tratamento à risca (uma percentagem maior abandonava todo e qualquer tratamento e se entregava) e assim por diante.

Não se conhece bem todos os caminhos de como a depressão afeta a biologia do câncer, mas se sabe que ela prejudica o sistema imune. Sabe-se, também, que os deprimidos não se transformam em instrumentos do seu próprio tratamento e possível cura. Infelizmente, essas são avenidas que não são levadas em sério pelos médicos e pelo sistema hospitalar. Ninguém ensina ninguém.

O conselho que emana dessas pesquisas é simples: não cuide apenas do câncer, cuide da depressão também. Saindo da depressão, estará ajudando a tratar o câncer.

 

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

 

O pesquisador principal é o Dr. Jim Hu, da UCLA, Professor de Urologia. Publicado online no dia 10 de Julho de 2014, no Journal of Clinical Oncology.

MAIS ESPERANÇA: estão experimentando com novo medicamento

 

 

    Há uma pesquisa realizada (Fase II: com poucos pacientes) e uma série maior planejadas usando um medicamento que ainda está send aperfeiçoado, chamado orteronel.

    Em quem estão experimentando? Em pacientes que não respondem mais ao tratamento hormonal, mas que ainda não apresentam metastases diagnosticadas. São pacientes com cânceres avançados, mais não os mais avançados.

    Estão numa fase de pesquisas relativamente baratas, antes de realizarem pesquisas custosas. Foram, apenas, 39 pacientes cujo PSA crescia rapidamente (o tempo mediano para dobrar era 2,4 meses, ou seja, dobrando rapidamente, que ia de menos de um mês até mais de nove meses).

    Todos receberam medicamentos duas vezes por dia (300 mg de cada vez) do orteronel, conhecido tecnicamente como TAK-700, Takeda. Esse medicamento impede que os androgenos sejam sintetizados. Pararam de dar o medicamento em uma ou mais de três condições:

    1. o PSA voltou a crescer

    2. surgiram metastases detectaveis (uma ou mais) ou

    3. a toxicidade era tal que não era tolerada, o que foi infrequente.

        O que queriam saber? Quais os resultados?

        Queriam saber quantos atingiram um PSA ≤0,2 ng/mL em 3 meses.  Essa expressão, ≤0,2 ng/mL, significa igual ou mais baixa do que 0,2. Esse era o primeiro objetivo, mas havia outros: qual a resposta do PSA, de maneira mais ampla, com todos os detalhes, queriam ter certeza de que o medicamento era seguro e quanto tempo levaria até que metástases fossem detectadas.

        Como era administrado o medicamento: em ciclos de 28 dias cada um (na mediana, foi aplicado 14 durante ciclos)

        E o resultado, que é o que mais interessa?

        35 dos 39 pacientes conseguiram uma redução de 30% ou mais no PSA. Ótimo resultado. Três meses depois de iniciado o tratamento; seis pacientes conseguiram baixar o PSA a 0,2 ng/mL, um excelente resultado para pacientes avançados. São 15% do total.

        Quanto tempo durou a melhoria? Na mediana, o PSA voltou a crescer depois de 13,8 meses. Mais de um ano. Lembrem do que significa mediana: em metade dos casos, o PSA voltou a crescer em menos do que os 13,8 meses e a outra metade segurou o crescimento do PSA por mais do que 13,8 meses.

        E a temida metástase? Na mediana (mais uma vea, a mediana!) foi de 25,4 meses, mais de dois anos.

        Acho que esse medicamento pode ser pensado como um que “estica” o efeito do tratamento hormonal por mais de um ano até que o PSA volte a crescer (mas lembrem que não sabemos quanto tempo levaria sem esse medicamento) e o tempo até a metástase em mais de dois anos (mas lembrem, outra vez, que não sabemos quanto tempo levaria sem esse medicamento).

        As estimativas estatísticas usando o método de Kaplan-Meier nos diz que, depois de um ano, em 57% o PSA não tinha voltado a crescer e depois de dois anos eram 42%.  A metástase (como esperado e desejado) depois de um ano não tinha sido diagnosticada em 94% e em 64% aos dois anos. Um ano para quase todos e dois anos para dois em cada tres pacientes.

        Talvez seja mais um medicamento a se juntar ao crescente arsenal à disposição dos que já não respondem ao tratamento hormonal convencional.

        Os efeitos colaterais são nossos conhecidos: 2/3 tiveram fadiga, um terço teve náusea, 38% tiveram diarréias, 44% tiveram hipertensão etc. e doze dos 49 desistiram.

        GLÁUCIO SOARES       IESP-UERJ

        Saiba mais:

        Hussain M. Clin Cancer Res. 2014;doi:10.1158/1078-0432.CCR-14-0356.