Exercícios reduzem a depressão causada por doenças crônicas

Os cânceres têm um efeito deletério sobre a saúde mental dos pacientes e de seus amigos. Uma doença que pode ser fatal gera estresse, medos, tensões e instabilidade. Há, também, o desânimo que freqüentemente acompanha doenças que demoram a serem curadas, além do que algumas das doenças degenerativas são incuráveis. Tudo isso estimula depressões. Como se não bastasse, o tratamento de muitas doenças provoca depressões, seja diretamente, seja indiretamente, através de efeitos colaterais como insônia e as náuseas. Há medicamentos e há terapias.
Há algo mais que possamos fazer?
Há. Podemos fazer exercícios. Mas não é tão fácil como parece. Exercícios liberam substâncias que produzem uma sensação de bem-estar e de energia, mas nós precisamos de energia psíquica para iniciar os exercícios.
Nesse blog, o que podemos fazer é atuar na parte cognitiva proporcionando o conhecimento, mas mais leitores lerão e entenderão os benefícios dos exercícios do que farão…
Herring, Puetz, O’Connor e Dishman analisaram as pesquisas feitas na área, integrando seus dados. Excluíram as pesquisas com erros e lacunas graves. Comecaram com os artigos publicados antes de 1º de junho de 2011, que constam de uma série de databases. Sobraram 90 artigos referentes a mais de dez mil e quinhentos pacientes com doenças crônicas que eram sedentários. As pesquisas, para serem incluídas, tinham que satisfazer duas exigências:
1)    Os pacientes eram distribuídos aleatoriamente em dois grupos, um com um programa de exercícios e outro que permanecia intocado.
2)    O nível de depressão de todos era estimado pelo menos duas vezes, uma antes do programa e outra durante ou depois do programa.   
Quais os resultados?
Os exercícios reduziram os sintomas de depressão de maneira significativa, mas o quantum da redução variava muito, de pesquisa para pesquisa. O efeito, estatisticamente chamado de delta ( ), foi de 0,30.
O que aumentava e o que diminuía o efeito?
•    Quando, já na origem, a depressão era severa, havia mais espaço para melhorar. Os pacientes com sintomas mais profundos foram os que mais se beneficiaram;
•    Os pacientes que exercitaram seriamente, atingindo os objetivos traçados para eles;
•    Os pacientes que recuperaram funções (exemplos: andar sem ajuda, ir ao banheiro sozinhos; tomar banho sozinhos etc.) graças aos exercícios, se beneficiaram mais e os sintomas da depressão diminuíram  mais do que entre os outros. Esses pacientes possivelmente tiveram a sensação de recuperar terreno perdido, de vitória parcial sobre suas doenças e limitações.
É importante lembrar que exercícios podem prejudicar os pacientes. Exercitar mais do que deve pode causar danos irreparáveis. Portanto, seu programa deve ser preparado e planejado por alguém competente (e há muitos incompetentes chutando nessa área). Uma vez que um programa adequado tenha sido preparado, em condições existenciais sub-ótimas, cabe ao paciente levar o programa em sério, para seu próprio benefício.

GLÁUCIO SOARES                          IESP/UERJ  
Fonte: Arch Intern Med. 2012;172(2):101-111.

Pesquisas clínicas sobre o câncer. Como receber as informações em casa.

Participar de pesquisas clínicas é um dos recursos usados por pacientes  com cânceres avançados. Mas, onde encontrá-los? Como saber quais estão em curso e quais são planejados?
Há um blog com essas informações. Você pode se cadastrar (muito mais simples do que no Brasil) e receber as notícias como RSS ou no Facebook. Infelizmente, está tudo em Inglês, mas após o cadastramento você recebe as noticias no conforto do seu computador, em casa ou no trabalho.
Abaixo a URL e as instruções:

http://www.cancer-clinical-trials.com/2012/01/cancer-clinical-trials-how-to-follow.html?spref=fb

Não vacile. Há clinical trials que salvaram muitas vidas e continuarão a fazê-lo. Uma delas pode ser a sua, de um amigo, de um familiar.

Cancer Clinical Trials: how to follow our blog
If you are a seasoned blog reader, you may wish to skip this post.  If you are new to the world of blogging, you may be just discovering how to follow the blog.  Here are your options:
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A OBESIDADE MATA!

Uma pesquisa recente informa que homens que ganham peso durante sua vida adulta multiplicam o risco de serem diagnosticados com câncer da próstata. Pior: com formas agressivas desse câncer, e de morrer vitimado por ele. O crescimento da massa corporal aumenta o risco de desenvolver esse câncer. Dallas English, co-autor da pesquisa deu uma entrevista para o  Sydney Morning Herald detalhando as conseqüências do ganho de peso. A pesquisa, com mais de 17 mil homens australianos, entre 40 e 69 anos, inclui muitas pessoas que cresceram sem ter consciência dos danos causados pela obesidade. A percentagem crescente de obesos entre crianças que cresceram nos países mais ricos (inclusive nas regiões e classes mais ricas do Brasil) permite prever que o futuro será ainda pior. Fazem parte de uma longa lista de pesquisas cujos resultados mostram que o estilo de vida (como se vive o dia a dia) é importantíssimo na definição de quem terá câncer.
Os resultados foram publicados no International Journal of Cancer.

GLAUCIO SOARES             IESP-UERJ

Avanços na prevenção e tratamento do câncer nos Estados Unidos

Houve progressos na prevenção e no tratamento do câncer! Nos Estados Unidos…
Os ganhos têm sido o resultado de pequenos ganhos, um avanço aqui, outro um pouco maior ali. Somando tudo, chegaram a um milhão de anos salvos, segundo o Dr. Ahmedin Jemal.
Qual foi o progresso? Segundo a American Cancer Society, entre 2004 e 2008, a taxa de mortes por câncer baixaram 1,8 por cento ao ano entre os homens e 1,6 entre as mulheres. É um progresso em que o de um ano se soma aos anteriores. Tomando um período maior, de 1990 a 2008, os ganhos na redução da mortalidade por câncer foram 23% e 15% entre homens e mulheres, respectivamente.
O que causou esse declínio? A prevenção, descobrir o câncer em estágios iniciais e melhoria no tratamento. Mas há muita variação entre os cânceres: uns melhoraram muito e outros nada ou quase nada.
Os que estavam em pior situação – homens negros e hispânicos – foram os que mais se beneficiaram com a redução (2,4% e 2,3%, respectivamente), o que sugere que os esforços orientados a levar a prevenção e o melhor tratamento aos grupos desfavorecidos deram certo.
A luta contra os grandes assassinos – pulmão, colon, mama e próstata continuou a progredir. Com a dramática redução no número de fumantes – entre os homens, o grande salto foi no câncer do pulmão: 40% da redução se deve a esse câncer. Já a sobrevida entre as mulheres que tiveram câncer da mama foi a que mais contribuiu para a redução das mortes femininas: 34%.  
A melhoria dos hábitos, particularmente a cessação do fumar, contribuiu para reduzir a incidência entre os homens. Já no que concerne os cânceres infantis, aumentou a incidência, talvez sub-produto do crescimento da obesidade infantil, mas a taxa de mortalidade diminuiu de 4,9 por cem mil crianças para 2,2. O tratamento e a sua difusão também melhoraram: entre as crianças cancerosas, 83% continuam vivas cinco anos depois do diagnóstico; nos meados da década de 70, essa percentagem era apenas 58%.
São avanços inegáveis, num país que cuida pouco da prevenção e muito do tratamento e da cura. O câncer continua sendo um grande inimigo da vida que, somente neste ano, matará seiscentas mil pessoas naquele país.
E nós?
Nem estatísticas confiáveis temos…

GLÁUCIO SOARES                           IESP-UERJ

Vexame na Segurança Pública da Paraíba

O Secretário de Segurança Pública da Paraíba prestou declarações públicas acusando o Fórum Brasileiro de Segurança Pública de mentir, como parte de uma campanha “para tentar desacreditar o Nordeste ao colocar os estados da região como mais violentos que outras regiões do país.” É interessante como a carta política e ideológica é usada como resposta padrão a qualquer trabalho científico que possa ser interpretado como crítica a um local, cidade, raça, município, gênero, estado, região etc. O secretário tirou do bolso a acusação inteiramente gratuita de que o Fórum pretende desacreditar o Nordeste.
Em verdade, só podemos perguntar como é que o senhor Claudio Lima chegou ao posto de Secretário de Segurança Pública do Estado da Paraíba? Aí, sim, surge uma resposta nada abonadora para o governador do Estado, para seu partido, para o estado e a região. O autor dessa infeliz declaração aduziu uma segunda, igualmente triste, que pretende publicar nos próximos meses um balancete com os dados oficiais da própria Segurança da Paraíba. Ou seja, revelou que os dados não estão prontos, que não são de fluxo e atualização contínua, que não tem a informação. Que vergonha, Sr. Governador!
Como bem afirma o pesquisador José Maria Nóbrega Jr., o imbróglio reflete o estado de desinformação do órgão perante o problema da violência. Justificadamente, recomenda: “Sr. Secretário, vá estudar!!
Pobre Paraíba…

GLÁUCIO SOARES                      IESP/UERJ

MDV3100: mais 4,8 meses de vida

O teste clínico do MDV3100 está dando bons resultados. Bons, não excelentes. Um grupo de avaliadores chamado de the Independent Data Monitoring Committee (IDMC) recomendou que não precisavam continuar testando e que deveriam distribuir o medicamento aos pacientes do grupo controle.
O que o medicamento faz? Inibe os receptores de andrógenos e as células cancerosas não conseguem grudar no seu alimento. Mas logo essas criações demoníacas descobrem outros caminhos para se alimentar e o medicamento perde efeito.
Quanto tempo de vida os pacientes ganham? 4,8 meses, na mediana. Há quem não ganhe nada e há quem ganhe alguns anos… Mediana é isso: metade menos do que 4,8 meses, metade mais.
Uma fundação inteligente, a The Prostate Cancer Foundation deu meio milhão de dólares para financiar os primórdios da pesquisa. É isso que ela faz: gasta pouco nos estágios iniciais de pesquisas que prometem.

GLÁUCIO SOARES            IESP/UERJ

A troca: meses de vida de uns por anos e anos de vida de outros

O Reino Unido decidiu que os benefícios do novo medicamento produzido pela Sanofi-Aventis, Jevtana® (cabazitaxel), para o câncer da próstata, é caro demais e não é justificado pelos benefícios. Essa é uma análise custo/benefício que tem marcado as políticas de saúde naquele país, em contraste com outros, que gastam irresponsavelmente para aumentar alguns meses de sobrevivência os recursos que poderiam salvar um número de vidas muito maior.

GLAUCIO SOARES     IESP/UERJ

DEPRESSÃO NA VELHICE

Entrada (11.819) – soares.glaucio@gmail.com – Gmail

Uma pesquisa, coordenada pela Universidade de Missouri, adiantou nosso conhecimento sobre a depressão. Foi feita numa população que enfrenta uma barra pesada: 14 mil pessoas, com 65 anos e mais, em lares para idosos. População ideal para pesquisar a depressão entre idosos sem contato imediato com a família. A pesquisa excluiu os que já tinham sido diagnosticados com depressão. A partir daí, contrastaram quem ficava deprimido e quem não ficava.

A grande descoberta foi como dois fatores aumentavam o risco de depressão: o risco era 69% mais elevado entre os que admitiram que haviam sido mais agressivos, verbalmente. Outro fator, já conhecido, inclui a redução do exercício autônomo de atividades quotidianas – o crescimento da dependência. Que atividades? Se alimentar, se vestir, se banhar etc. A transferência de cada uma dessas atividades para terceiros aumentava o risco de depressão. Possivelmente, era vista como perda de autonomia e aumento irreversível de característica pouco desejável da velhice, a dependência.

Recomendações? Cada um tire a sua. Eu tentarei controlar a agressividade e fazer tudo o que posso fazer sozinho, todas as atividades que eram parte do meu quotidiano.

 

GLÁUCIO SOARES                IESP/UERJ

DEPRESSÃO NA VELHICE

A ATIVIDADE SEXUAL E CÂNCER, A IMPORTÂNCIA DOS AVÔS E DAS AVÓS, A IMPORTÂNCIA DOS HOSPITAIS, A TRAGÉDIA DO SERVIÇO SOCIAL, ACEITAÇÃO DA MORTE, ACEITAÇÃO DE DOENÇA GRAVE, AGRESSIVIDADE E SUICÍDIO,

Um câncer aumenta o risco de outro?

Essa é uma preocupação comum entre cancerosos. Eu perdi uns três anos da minha vida, durante os quais não funcionei, com um Transtorno Compulsivo Obsessivo em relação a outros cânceres. Uma rápida terapia cognitivo-comportamental e um aumento na religiosidade reduziram essas preocupações a uma fração, pequena, do que fora. Isso tudo aconteceu enquanto tinha (e tenho) um câncer incurável crescendo.

Recentemente, li uma carta de uma ex-cancerosa, mulher de 38  anos, que teve um câncer na tiróide que está em remissão há onze anos. Como mãe se preocupa, como mulher se preocupa ainda mais, pois acha que aos 38 aumenta muito a sua vulnerabilidade a outros cânceres, particularmente ao da mama. Essa mulher quer saber quanto o ter tido aumenta o risco de ter outros cânceres – em comparação com mulheres iguais a ela, mas que não tiveram câncer. Por isso escreveu a um especialista que responde a quem escreve.

A resposta do médico informa e tranqüiliza: dentro de dez anos de ter um câncer na tireóide, há um pequeno risco adicional de ter alguns outros cânceres. Quais? Mama, rins, linfoma de Hodgkin’s, leucemia, glândulas salivares, cabeça e pescoço, pulmão, esôfago e bexiga.

Como bem diz o médico, antes de que a leitora entrasse em pânico, leia cuidadosamente os dados: pesquisadores da Universidade de Utah estudaram mais de trinta mil pacientes diagnosticados entre 1973 e 2002, para avaliar esses riscos que trazem tanto medo a tantas pessoas. Os resultados mostram que o aumento no risco é muito pequeno: em cada dez mil pessoas, apenas entre seis e sete cânceres a mais foram diagnosticados entre as que tiveram câncer da tireóide. Seis a sete em dez mil! Tratando câncer que amedrontava a senhora que escreveu a carta, o da mama, no grupo entre 25 e 49 anos, encontraram apenas quatro cânceres a mais do que entre as pessoas que não tiveram câncer da tireóide. Outra descoberta: o risco adicional diminui com o tempo e, depois de dez anos é quase zero, e o risco é igual ao das pessoas que nunca tiveram câncer na tireóide.

 

Esse comentário não foi baseado em um artigo acadêmico e cientifico, mas na seção medicah de um jornal.

Saiba mais:

http://www.thenewstribune.com/2011/12/18/1949932/tie-between-vitamin-d-depression.html#ixzz1gy5rMUOj

 

GLAUCIO SOARES  IESP/UERJ

Os blogs em 2011

Há muitas diferenças entre os blogs.

Os mais exitosos foram sobre o câncer da próstasta: juntos. cerca de 700 000 acessos; há vários que não decolararam, dois que foram “invadidos” pelos anúncios pornográficos e tive que bloquear. Os dois sobre suicídios são quase constates. Juntos. perto de cem mil. Espero que tenham ajudado muita gente e salvo algumas vídas. É informativo, com ênfase na prevenção. Doi quando leio cartas solicitando instruções sobre como suicidar-se. Os dois blogs criados sobre os derrames, resposta ao sinal de alerta que me foi enviado pelo Padre Airton Freire, servo, tinham um público não trabalhado e cerca de 64 mil páginas visitadas; os dois blogs sobre Conjuntura Criminal começaram bem, mas decaíram, em grande parte porque diminuí o noticiário elaborado que, por sua vez, foi uma decisão baseada no crescimento de bons blogs na área. Estou repensando-os, possivelmente como blogs dirigidos mais para uma elite intelectual e profissional. Menos leitores, mas leitores influentes. Alguns não vingaram e já os terminei; outros andam em nível mais baixo. Tenho que optar. Os blogs não são opinativos, mas implicam em uma varredura das publicações qualificadas sobre um tema, escrever o blog com gráficos que tenho que criar e introduzir (que requerem muito trabalho) isso tudo numa linguagem accessível. 

Em síntese, é muito trabalho. E as dificuldades são grandes. Algumas publicações são pagas e as da área médica são caras; vivo envenenando meu computador de alguns anos, mas é claro que preciso de um mini-servidor. Os mini-servidores não são a entidade cara e assustadora que muitos pensam. Ando namorando um suéco, planejado para rodar em Linux, chamado de Excito B3 que, com wi-fi vende por 365 euros. Outro problemas é como trazê-lo…

Em exatamente um mês terei minha consulta semestral no Sloan Kettering. Aos 77 tenho que viajar na classe executiva, onde viaja o pessoal que tem grana… Ou o tratamento continua como está com seus moderados efeitos colaterais, ou muda para outro, antihormonal, com efeitos bem piores, o que iniciaria tratamentos de menor eficácia (menor extensão da sobrevivência) e efeitos coletarais muito piores.

e sou pai de cinco, avô de cinco, marido de uma (é verdade), pesquiso, oriento, pesquiso, trabalho, pewsquiso, dou aulas, pesquiso, escrevo artigos científicos, pesquiso… e ainda não resolvi um só problema filosófico relevante. Mas o quase milhão e meio de leitores e o sonho de estar ajudando milhares ou centenas de milhares, nem que seja um pouco, faz com que tudo valha a pena. 

Um abraço a todos e, parodiando o padre Aírton Freire, Feliz 2012, 2013, 2020, 2040, 2100… Se festejaram o Natal, meditem, ainda que retroativamente, sobre o aniversariante.

 

Os dados seguem abaixo. São totais cumulativos, a partir do momento em que comecei a blogá-los.

GLÁUCIO SOARES                              IESP/UERJ

 

 

 

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36 192 311 345,930 Delete
26 400 637 319,771 Delete
6 48 78 20,850 Delete
5 45 62 43,533 Delete
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0 17 36 74,641 Delete
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