Uma oração por Irene

 

Irene, amiga desde 1962, faleceu vítima de dois canceres (diferentes) no pulmão.  Aos que acreditam, peço uma oração; aos que não acreditam, um pensamento positivo.

Obrigado

 

Gláucio Soares

Genocídio contra meninos e adolescentes na Nigéria está em curso neste momento (e você nem sabe disso…)

Estou preocupado com nossa dependência da mídia para informações internacionais, particularmente as cultural e espacialmente mais distantes. Há gigantescas distorções. Acabo de descobrir que Boko Haram pratica o genocídio contra MENINOS. Rapta meninas para a venda e fuzila e queima as crianças do sexo masculino. A imprensa internacional saltou, justificadamente, a favor da libertação das meninas sequestradas e Michelle Obama se mantém ativíssima na importante tentativa de libertar as meninas. Em todas as partes as palavras de ordem: “bring back our girls”. Não obstante, não chegou a mim uma só notícia a respeito do genocídio masculino praticado por aquele grupo. – até agora, ao encontrar o clamor de um homem negro. Ele nos fala de um genocídio masculino que não chegou aos jornais, à televisão, à mídia eletrônica.  Em Julho de 2013 42 meninos foram amarrados com explosivos e detonados. Os sobreviventes foram queimados, alguns vivos. Você leu alguma coisa a respeito? Não! A notícia não é interessante. Em fevereiro deste ano, 59 meninos negros foram trucidados. Você leu alguma coisa a respeito? Não! A notícia não é interessante. No mesmo mês, 105 homens e meninos perderam a vida, não em tortura prévia. Uma mulher também morreu. Você leu alguma coisa a respeito? Não! A notícia não é interessante.

É difícil entender porque o assassinato sistemático de meninos e crianças negras não receba um minuto no noticiário. É porque são negros? É porque são meninos? É porque são meninos e negros? Lidamos com uma forma especialmente perversa de machismo e sexismo, que preconiza que a violência é feita por homens e contra homens e por isso merece ser ignorada. A degola e a queima de meninos negros é prática corrente do Boko Haram, mas a mídia do mundo ocidental prefere desconhecer. Porque a tortura e morte de meninos negros “não é notícia”.  O contraste entre o noticiário indignado e justificado contra o sequestro de meninas e o silêncio total a respeito dos desmembramentos, da tortura e da execução de meninos negros requer explicação. A combinação entre ser homem e ser negro abre a porta de um preconceito tão insensível que nos obriga a questionar nossa própria humanidade.

Abaixo a URL de um homem negro que protesta contra o silêncio sexista da mídia:

https://www.youtube.com/watch?v=IzafBLi1lNU

DIA DOS SOBREVIVENTES DE CANCERES

Domingo, dia 1o, foi celebrado o Dia dos Sobreviventes de Câncer. Junho, em diferentes países, é um mês dedicado a nós.

Quem é um sobrevivente do câncer? É quem foi diagnosticado com câncer e está vivo, não importa se o diagnóstico foi feito ontem ou há trinta anos. Se você é considerado curado, e, ao contrário, se a barra está pesada, você é um sobrevivente. Somos sobreviventes do diagnóstico até a hora da morte, seja por que causa for.

O que há para celebrar? – perguntarão muitos.

Simples: o diagnóstico de um número cada vez maior de canceres deixou de ser uma sentença de morte. Tome o câncer da próstata: em meados da década de 90, metade dos diagnosticados emplacavam dez anos; se espera que 97% dos diagnosticados agora estejam vivos, ainda que não necessariamente curados, dez anos depois.

Isso nos Estados Unidos. Aqui, talvez ainda estejamos lutando para chegar ao nível que aquele país atingiu há décadas. O aumento da sobrevivência não foi uniforme: o prognóstico em alguns canceres melhorou muito, mas em outros o avanço foi mínimo.

Há muito que celebrar! Não obstante, ainda temos muito trabalho pela frente.

 

GLÁUCIO SOARES            IESP-UERJ

Câncer da Próstata: mais uma esperança no horizonte

 

A empresa Tokai Pharmaceuticals apresentou há horas dados sobre o uso de Galeterona em pacientes com canceres avançados. O marcador usado, que decide se o medicamento funciona ou não, é o PSA.

Trabalharam com três grupos: no primeiro, os pacientes não respondem mais ao tratamento hormonal; no segundo, além de não responderem, já apresentam metástases detectáveis e no terceiro e último, já não respondem à abiraterona.

Os resultados se referem a 87 pacientes que receberam doses diárias de 2.550 mg.

O que aconteceu com eles?

Entre os 51 que não respondem ao tratamento hormonal, mas não apresentam metástases, 82% tiveram uma redução de trinta por cento ou mais no PSA. Usando um critério mais exigente, uma redução de 50%, a percentagem não cai muito – 75%. Sem dúvida, um excelente resultado. Não sabemos quanto tempo essa redução se manterá.

No segundo grupo, que apresenta metástases, com 39 pacientes, 85% tiveram uma redução de, pelo menos, 30% e 77% uma redução de 50% ou mais. Resultados semelhantes aos do primeiro grupo.

A abiraterona tem sido usada depois dos tratamentos hormonais. Em quinze desses pacientes, 27% tiveram um declínio no PSA, sugerindo que a Galeterona beneficiará poucos pacientes nesse nível.

E os efeitos colaterais? Não foram grandes: os mais comuns são náusea, diarreia, fadiga, falta de apetite etc.

Mais uma esperança.

 

GLÁUCIO SOARES     IESP/UERJ

CÃES CONTRA O CÂNCER

Voltamos ao tema: como cães podem ajudar a detectar o câncer da próstata. Os “melhores amigos do homem” provam, mais uma vez, sua acuidade. McCulloch e associados analisaram a acuidade de cães na detecção de canceres da mama e do pulmão, no início e em canceres mais avançados também.[1] Mais importante, mas com seus perigos: cães comuns, como o seu ou o do vizinho, podem ser treinados para chegar a um alto nível de precisão na detecção de canceres (e de outros cheiros…). Os autores treinaram cinco cães domésticos, comuns, para detectar canceres. Os animais também foram treinados a expressar comportamentalmente o que cheiraram. Quando o resultado foi positivo (detectavam câncer na amostra da urina), sentavam ou deitavam em frente do recipiente; quando não, passavam para o próximo. Os cães foram treinados em três etapas, cada uma mais exigente do que a anterior. Através de gratificação diferencial (gratificação quando acertavam, ausência de gratificação quando erravam), foram desenvolvendo a associação entre o que detectavam através do cheiro e a gratificação. Usaram amostras do ar expirado de 55 pacientes com câncer do pulmão, 31 com câncer da mama e 83 controles. Um cuidado óbvio foi ter apenas uma amostra por pessoa. Em contraste, a análise química do ar expelido pelas mesmas pessoas foi reprovada no teste. Cães 1×0 Análise Química!

A sensitividade e a especificidade foram altíssimas, 0,99 nos dois casos, na análise do câncer do pulmão, e 0,88 e 0,98 na análise do câncer da mama. Ambos canceres são corriqueiramente classificados em quatro estágios e os cães identificaram o câncer da mesma maneira, independentemente do estágio. Ah, sim: o que é sensitividade? Simples: a percentagem de cancerosos corretamente identificada. A fórmula também é simples: é só dividir os positivos corretos pelo total (que inclui positivos corretos mais os falsos negativos). A especificidade é o mesmo raciocínio aplicado aos erros, aos negativos. Numa especificidade perfeita todos os negativos e nenhum falso positivo são identificados. Há dois erros: não identificar o câncer quando ele existe e identificar um câncer quando ele não existe. Falso negativo no primeiro, falso positivo no segundo.

Qual o critério? Biópsias. Elas têm falsos negativos, mas rarissimamente (devido a erro) tem falsos positivos.

Leia mais sobre essa pesquisa em

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16484712

Recentemente, pesquisadores italianos verificaram que dois cães treinados poderiam identificar elementos químicos orgânicos na urina de pacientes que revelam que eles têm câncer da próstata. Dessa vez foram apenas dois cães e o resultado – uma taxa de acerto combinada, dos dois, de 98 por cento satisfaz os requisitos mais exigentes. Melhor do que o PSA e o toque retal combinados. Os italianos apresentaram os resultados na conferência anual da American Urological Association em Orlando, na Flórida.

O pesquisador italiano Gianluigi Taverna, sugere que o uso de cães, juntamente com testes já padronizados, como o PSA, apresentaria um avanço clínico.

Como foi feita a pesquisa? Usaram a urina de 677 pessoas, sendo 320 cancerosos e 357 pessoas saudáveis. Os cancerosos eram de todos os tipos, desde os com baixo risco até os com metástase distante. Os cães eram gratificados quando identificavam cada amostra cancerosa e sentavam em frente a ela.

Como é que funciona?

Os tumores produzem químicos chamados compostos orgânicos voláteis, que, como o nome diz, evaporam e produzem um cheiro que é captado pelas narinas ultrassensíveis dos cães. Os cães têm uma memória olfativa poderosa – não esquecem os cheiros. Por isso, as mesmas amostras não poderiam ser usadas repetidas vezes. Essa habilidade é que permite o uso de cães farejadores na busca de pessoas sequestradas, de corpos, de criminosos e muito mais.

E os cães, acertaram?

Um acertou em 98,9 por cento das amostras e o outro em 97,3%. Se os erros forem aleatórios ou absolutamente individualizados, o uso de dois cães na mesma amostra faria com que acertassem 9.623 vezes em cada dez mil!

Acham que é só isso?

Tem muito mais!!!

Os japoneses entraram nesse quadro. Sonoda e sua equipe

publicaram um artigo mostrando a utilidade dos cães no correto diagnóstico do câncer do cólon.[2] Há necessidade de um teste que seja tão barato e não invasivo para detectar o câncer do cólon, que seja mais confiável, com menos erros.

A pesquisa: foram obtidas amostras do “bafo” e de fezes liquidificadas de pacientes com câncer e pacientes saudáveis – o grupo controle. Eram vários grupos de cinco amostras: uma de canceroso e quatro de pessoas saudáveis. Um Labrador Retriever foi treinado para detectar câncer pelo cheiro. Cada vez, um par de amostras foi colocada em frente ao cão, uma de canceroso e outra de controle. Como em outros experimentos semelhantes, ele deveria sentar em frente à amostra com materiais de cancerosos. Trinta e três grupos de amostras de bafo e 37 de fezes liquidificadas foram usados. O cão corretamente identificou 91% dos casos de câncer detectados por colonoscopia, a partir do cheiro, e identificou 99% dos saudáveis. Quando as fezes foram usadas, as percentagens foram 97% e 99%, respectivamente.

A acuidade da detecção feita pelo cão não foi afetada nos casos em que o paciente fumava, em que a doença era benigna ou uma inflamação.

Por quê?

Os cães possuem até trezentos milhões de receptores olfativos nos seus narizes e nós, apenas seis milhões, cinquenta vezes menos.

Tem mais: a parte do cérebro que é dedicada a identificar e analisar cheiros, proporcionalmente, é 40 vezes maior nos cães.

Parece claro que há um potencial aberto para a utilização dos cães na medicina diagnóstica. Os resultados obtidos até agora tiveram treinamento muito limitado e um número mínimo de cães. O uso de vários cães e várias técnicas e vários treinamentos reduz os erros: são probabilidades combinadas. Não obstante, não é levado a sério por administradores hospitalares, médicos e suponho que seja levado negativamente a sério pela indústria farmacêutica. Se conseguirmos vencer o reacionarismo ranheta do establishment médico e farmacêutico, poderemos ver que o melhor amigo do homem é ainda mais amigo do que pensávamos.

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ


[1] McCulloch M, Jezierski T, Broffman M, Hubbard A, Turner K e Janecki T. “Diagnostic accuracy of canine scent detection in early- and late-stage lung and breast cancers” em Integr Cancer Ther. 2006 Mar; 5(1):30-9.

[2] Sonoda H, Kohnoe S, Yamazato T, Satoh Y, Morizono G, Shikata K, Morita M, Watanabe A, Morita M, Kakeji Y, Inoue F e Maehara Y, “Colorectal cancer screening with odour material by canine scent detection” em Gut. 2011 Jun;60(6):814-9. doi: 10.1136/gut.2010.218305. Epub 2011 Jan 31.

VOCÊ SABE QUANTOS BRASILEIROS MORREM EM QUEDAS E TOMBOS?

Estou pensando no perigo das quedas e no despreparo de nossos governantes, em todos os níveis. Pensei nisso porque mais um idoso, de 74 anos, faleceu devido a uma queda. H.R. Giger, um artista suíço, conhecido por desenhar para filmes em Hollywood, alguns dos quais não foram esquecidos: “Species,” ”Poltergeist II,” ”Dune,” e o famoso “Alien”. Com Alien, ele ganhou um Oscar pelos efeitos especiais. Caiu, se feriu gravemente, e faleceu.

Não estamos conscientizados para a devastação causada pelas quedas, que são a causa de milhares de mortes, particularmente entre idosos. No Brasil, em onze anos, de 1998 a 2008, inclusive, quase 69 mil pessoas perderam a vida em quedas. Pior: com o envelhecimento da população cresce, ano após ano, o número de mortes – mais 452 além das do ano anterior. Morreram brasileiros nesse período em número maior do que a lotação de quase todos os estádios da Copa (15 mil a mais que o Fonte Nova, em Salvador; 7 mil a mais do que o Mineirão; 22 mil a mais do que o Beira Rio). Essa é uma área da Saúde Pública na qual a prevenção funciona e muitas dessas vidas poderiam ser salvas através de um programa nacional de prevenção, cujo custo anual é uma fração do gasto em um desses estádios.

 

MORTES POR QUEDAS 1998 A 2008

 

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

A Destruição de Seres Humanos

O Estado de Oregon, no Noroeste dos Estados Unidos, há um condado chamado Multnomah, cujo sherife decidiu mostrar o que acontece com os viciados em drogas, específicamente em anfetaminas. O excelente jornalista, Ricardo Setti, fez matéria na Veja de 2011 com as fotos. No site do condado há fotos mais recentes.

 

Da droga para a lama: imagens chocantes mostram a destruição física de viciados

Publicado originalmente em 25 de julho de 2011.

Depois de algum tempo, os cabelos já não são os mesmos. O rosto perde a cor. As bochechas somem. Os dentes caem.  A pele ganha manchas, olheiras, rugas, machucados. Os olhos perdem completamente o brilho.

Esses são os efeitos físicos mais visíveis causados pela uso de uma drogas muito pesada, que vicia rapidamente e de cuja dependência é muito difícil curar-se: a metanfetamina – como você pode ver nas chocantes imagens abaixo.

As fotos à esquerda mostram viciados em drogas ao serem presos pela primeira vez.

As da direita revelam as mesmas pessoas algum tempo depois, durante a segunda, terceira ou quarta passagem pela cadeia. As imagens foram organizadas pelo gabinete do xerife do Condado de Multnomah, no Estado de Oregon, nos Estados Unidos, com o objetivo de alertar a população para os efeitos reais das drogas.

E são apenas os efeitos físicos. Imaginem os efeitos psicológicos. Assustador, não?!

LEIA TAMBÉM:

Reportagem imperdível: como é e o que mostra o documentário sobre drogas que teve FHC como fio condutor.

Drogas: entenda a real posição de FHC sobre o assunto. Não é nada de “liberou geral”.

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Fotos com diferença de 7 anos

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Diferença de 6 meses

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Diferença de 11 anos

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Diferença de 8 meses

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Diferença de 1,5 anos

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Diferença de 2,5 anos

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Diferença de 1 ano

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Diferença de 3 meses

Tags: cocaína, drogas, EUA, heroína, metanfetamina, viciados